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14 de abril de 2015

Misofonia & Fibromialgia

É sabido que, para algumas das pessoas com fibromialgia, sons repetitivos provocam ansiedade e podem provocar um ataque de pânico.
Ouve-se falar em misofonia, na qual certos sons podem levar não só à ansiedade como à raiva e até mesmo à fúria.

Existe ainda muito pouca investigação referente à misofonia porém existem alguns factores coincidentes 'interessantes' desta condição com a fibromialgia e o síndrome de fadiga crónica, a saber:
  • Tinido (sensação auditiva cuja fonte não advém de estímulo externo ao organismo) - muito comum em ambas as condições
  • Duas áreas comuns no cérebro que processam a dor, raiva e a sensibilidade sensorial
  • Estruturas disfuncionais no sistema nervoso central consistentes com teorias sobre os mecanismos subjacentes à fibromialgia e ao síndrome de fadiga crónica
  • Ansiedade e depressão
  • Desordem obsessiva-compulsiva, que alguns investigadores dizem ser mais comuns em pessoas com fibromialgia

Como se lida com a sensibilidade à luz e ao som na fibromialgia?


Alguns dos tratamentos prescritos para aliviar a dor relacionada com a fibromialgia podem também ajudar a reduzir a a sensibilidade à luz e ao som que afectam muitos fibromiálgicos. Ninguém sabe porque isto acontece mas alguns cientistas acreditam que a fibromialgia pode 'amplificar' os estímulos recebidos pelos sentidos. Isto inclui a sensibilidade ao toque que pode ser a principal causa da dor na fibromialgia.

Com a fibromialgia o nosso cérebro está super alerta, incluindo à luz e ao som.
Claro que não podemos viver num quarto escuro durante 24 horas por dia. Até devemos estar expostos à luz solar durante, pelo menos, 20 minutos todos os dias, já que é uma excelente fonte de vitamina D, da qual alguns doentes têm níveis muito baixos. Depois de serem descartados outros possíveis problemas, devemos proteger os nossos olhos com óculos escuros e com protecção UV. A sensibilidade à luz também é comum durante as enxaquecas que ocorrem frequentemente em pessoas com fibromialgia.
A sensibilidade ao som é outra condição que pode ser irritante - a sons específicos, ao barulho de várias pessoas a falarem ao mesmo tempo, etc. Também o tinido pode ser causado pela presença de pontos gatilho miofasciais, responsáveis pela dor miofascial generalizada.

Não é possível evitar totalmente estes incómodos porque é importante socializar e combater o isolamento, mas é possível identificar os sons mais incomodativos e tentar evitá-los. Também pode usar tampões para os ouvidos em situações em que se sinta mais desconfortável. Tente permanecer num ambiente tão tranquilo quanto possível.

Se a sensibilidade à luz e ao som causarem uma grande ansiedade, fale com o seu médico, haverá possivelmente algum medicamento ou terapia que possam ajudar. Respiração profunda, Qi Qong ou meditação também podem ajudar.

Celeste Cooper, Reumatologista

A minha estratégia é ouvir sons que inspirem alegria, tal como algumas músicas, vozes suaves (Leonard Cohen, por exemplo), sons de água corrente e outros que me são agradáveis e me ajudam a acalmar. Nem sempre é fácil. Continuo a atravessar a rua de cada vez que ouço o ruído de tacões a bater no asfalto! Tento não me sentir zangada com a senhora que usa esses sapatos e fujo tão depressa quanto me é possível. :-)
Barbara Keddy @ Woman and Fibromyalgia



O que é a misofonia?

A misofonia é uma condição médica reconhecida em que a pessoa afectada pode desenvolver uma hipersensibilidade a barulhos do dia-a-dia, geralmente aos sons feitos por outras pessoas ao comer e ao respirar. Isto pode desencadear sentimentos extremos de raiva ou pânico, ou mesmo de imaginar ser-se violento contra quem está a fazer o som.

A condição é também denominada selective sound sensitivity syndrome (síndrome de sensibilidade ao som selectivo, SSSS ou 4S). Quando a reacção é particularmente forte, é por vezes denominada fonofobia.

Sm, mas toda a gente tem sons de que não gosta...


É verdade. Por exemplo, a maioria de nós não suporta a ideia de unhas a arranhar um quadro. Mas a misofonia clínica é diferente. As pessoas com esta condição muito frequentemente acabam por alienar as pessoas de quem são mais próximas. Isto pode conduzir, e conduz, ao afastamento e divórcio, desemprego e até, em casos extremos, à auto-mutilação ou a uma incapacidade de sair de casa. As crianças são particularmente vulneráveis à misofonia, tanto quando elas próprias sofrem do síndrome ou como alvos de um progenitor que sofra de misofonia.

Quais são os sintomas?

Acredita-se que a idade comum em que a misofonia se começa a manifestar é por volta dos 8-12 anos, apesar dos sintomas poderem aparecer em qualquer idade.

As pessoas afectadas tendem a começar a reparar numa característica específica da respiração ou dos hábitos alimentares de um ente querido. Tornam-se obcecadas pelo som ou sons feitos por essa pessoa ou para as acções com que fazem os sons, ou mesmo para a antecipação destes.

A reacção pode envolver raiva, pânico, medo, desejo de fugir, imaginar seriamente atacar quem está a fazer o som, ou todas estas emoções juntas. Escusado será dizer que a reacção não é de maneira nenhuma proporcional à natureza do que a desencadeou.

Os afectados têm estas reacções sobretudo com as pessoas que lhes são mais próximas.

E quanto às famílias e amigos de pessoas com misofonia?


Compreende-se que pode ser muito angustiante ser-se informado constantemente que a maneira como se come ou respira é "nojenta", ou até particularmente perceptível. A maioria das pessoas com misofonia também compreende isso. Sabem que são elas que têm um problema e que habitualmente a pessoa que as provoca, a pessoa que faz o som, está a comportar-se de forma normal. No entanto, quando estão a ter uma reacção misofónica, ficam incapazes de participar numa discussão fundamentada. É por esta razão que é tão importante que ambas as partes conversem sobre o assunto numa altura em que a pessoa afectada pela misofonia se sinta relativamente segura.

Nunca ouvi falar de misofonia 

O termo misofonia (miso - aversão extrema; fonia - som) só foi inventado no início de 1990 pelos cientistas americanos Pawel e Margaret Jastreboff. É claro, as pessoas já sofriam desta condição antes de existir um nome para ela! Acredita-se que os médicos simplesmente diagnosticavam os sintomas como uma forma de ansiedade. No entanto, a misofonia tem sintomas de tal forma pronunciados (os quais variam de um indivíduo para outro) que é claramente mais do que apenas ansiedade. 

Existe uma cura?

Não. Diversos tratamentos - tal como terapia cognitivo-comportamental ou terapia de habituação ao zumbido - foram relatados como tendo sido benéficos para algumas pessoas, mas nenhum tratamento serve para toda a gente. Recomenda-se que discuta as suas opções com o seu médico.

A misofonia é hereditária?

Possivelmente. É necessário que se faça mais pesquisa sobre isto.

A misofonia parece transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) ou autismo

Podem haver semelhanças, mas de momento não existe qualquer pesquisa que sugira que estas condições estejam relacionadas de forma médica ou psicológica.

Acho que tenho misofonia. O que devo fazer?

1. Consultar um médico
É muito possível que o seu médico de família não esteja muito familiarizado com a misofonia. Neste caso peça para ser encaminhado para um otorrinolaringologista.
2. Aderir a um grupo de apoio
Irá descobrir que se encontra longe de estar sozinho ao ter esta condição. Ser-lhe-à possível discutir as suas circunstâncias com pessoas que partilham a sua mentalidade e que passam pelas mesmas experiências.
3. Falar com os seus entes queridos
O diálogo com os que lhe são mais próximos, quer o 'provoquem' ou não, é muito importante. Se lhe provocam reacções pode ser que se tornem mais compreensivos. Podem, também, ser seus aliados para ajudar outras pessoas a compreender.
4. Desenvolva a sua capacidade de lidar com a misofonia
Por não existir uma cura ou tratamento eficaz é muito importante tentar formas de lidar com esta condição. Isto pode querer dizer evitar certos lugares ou pessoas a determinadas horas do dia, disfarçar os sons incómodos com música, etc.

Tradução - Ana Pires

Este texto foi publicado por 'Misophonia UK', uma organização que faz campanha por um maior reconhecimento da condição, presta serviços de consultadoria a instituições e gere um website de informação online. Onde quer que viva, no mundo, pode pedir a ajuda desta organização.











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