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2 de abril de 2015

A pele - fibromialgia sob uma outra perspectiva


válvulas
As terapêuticas aprovadas hoje em dia que conseguem, pelo menos, aliviar parcialmente os sintomas de pacientes com fibromialgia, actuam apenas no cérebro, onde técnicas de imagem detectaram hiperactividade de origem desconhecida, à qual chamam 'sensibilização central'.
A causa desta sensibilização não foi determinada, o que deixa muitos médicos ainda em dúvida sobre a origem desta doença ou até a existência da mesma.

Investigadores do "Integrated Tissue Dynamics LLC (Intidyn)", como parte de um estudo sobre fibromialgia feito no "Albany Medical College", afirmam que encontraram  uma explicação biológica - uma patologia neurovascular, consistentemente presente na pele de mulheres com fibromialgia que pode ser  a força propulsora dos sintomas referidos.
"Em vez  de estar no cérebro, a patologia consiste num excesso de fibras nervosas sensoriais à volta das estruturas de vasos sanguíneos, localizadas nas palmas das mãos" diz o Dr. Frank L. Rice, presidente da Intidyn e investigador principal neste estudo. "Esta descoberta traz-nos provas concretas de uma patologia específica para a fibromialgia, a qual pode ser agora usada para diagnosticar a doença, e para ponto de partida da descoberta de terapêuticas mais eficazes."

Há 3 anos atrás, os cientistas publicaram na revista 'Pain', um artigo sobre uma desconhecida função do sistema nervoso, nos vasos sanguíneos da pele.
Como o Dr. Rice explica, "analisamos a pele de um paciente particularmente interessante, a quem faltavam numerosas variedades de terminações nervosas na pele, que supostamente estão relacionadas com a variação da nossa sensibilidade ao toque. Contudo, este paciente tinha uma actividade normal no seu dia-a-dia. "As únicas terminações nervosas que descobrimos na sua pele foram as que rodeiam os vasos sanguíneos."
"Anteriormente pensavamos que estas terminações nervosas estavam envolvidas apenas na regulação do fluxo sanguíneo a nível do subconsciente, no entanto obtivemos provas que as terminações dos vasos sanguíneos também podem contribuir para o nosso sentido do toque... e da dor."

Este esquema ilustra a organização dos vasos sanguíneos e a regulação do fluxo sanguíneo (setas) na palma das mãos. Os shunts (desvios) arteríola-vénula são pequenas válvulas musculares que ligam directamente a arteríola e a vénula por forma a contornar os capilares. As setas indicam a direcção do fluxo sanguíneo. 
Como se vê à esquerda, para irradiar calor da nossa pele quando estamos quentes, a activação das fibras nervosas simpáticas fecha os desvios para que o sangue oxigenado (setas vermelhas) nas arteríolas seja forçado a entrar nos capilares e o sangue não oxigenado (setas azuis) volte às vénulas.
À direita pode ver-se que, para conservar o calor quando está frio, a activação das fibras nervosas sensoriais dilata os desvios e o sangue contorna os capilares.
Os pacientes com fibromialgia têm uma quantidade excessiva de fibras sensoriais à volta dos shunts.
Créditos: Frank L. Rice, Integrated Tissue Dynamics.

Em colaboração com o 'Albany Medical Center', o neurologista Dr. Charles E. Argoff, o principal investigador do estudo, o Dr. James Wymer, do mesmo centro e o Dr. James Storey do 'Upstate Clinical Researches Associates' , as propostas da investigação clínica foram consolidadas pelas farmacêuticas 'Forest Laboratories' e 'Eli Lilly'.

Ambas as companhias desenvolveram medicamentos (aprovados pela FDA-Food & Drug Administration, Estados Unidos) com funções similares - inibidores da recaptação de serotonina e norepinefrina- que, pelo menos, dão algum alívio aos sintomas dos pacientes fibromiálgicos.

"Sabendo como estas drogas supostamente influenciam as moléculas no cérebro", reforçou Albrecht, "tinhamos provas de que moléculas similares estavam envolvidas na função das terminações nervosas nos vasos sanguíneos. Então, pusemos a hipótese de a fibromialgia poder estar relacionada com uma patologia nessas terminações. Tal como os resultados demonstram, estavamos correctos".

Para analisar as terminações nervosas, estudaram pequenas porções de pele obtidas por biópsia, colhidas da palma das mãos de pacientes com FM, diagnosticados e tratados pelos investigadores envolvidos. O estudo foi limitado a mulheres, que têm mais do dobro de ocorrências da doença do que os homens.

O que a equipa descobriu foi um aumento nas fibras nervosas sensoriais em sítios específicos nos vasos sanguíneos da pele. Estes pontos críticos são válvulas minúsculas chamadas desvios arteríola-vénula (AV shunts), que formam uma ligação directa entre arteríolas e vénulas (ver a imagem).
Rice descreve as suas funções, "Todos fomos ensinados que o sangue oxigenado flui das arteríolas para os capilares que depois enviam o sangue não oxigenado para as vénulas. Estas válvulas são únicas e têm como propósito regular a temperatura corporal".

Um termóstato para a pele

Nos humanos este tipo de 'desvios' são únicos para as palmas das nossas mãos e para a sola dos  pés, que funcionam como um radiador para um carro. Quando está calor as válvulas fecham para forçar o sangue para os capilares à superfície da pele para irradiar calor do corpo. É por isso que as nossas mãos suam. Quando está frio as válvulas abrem permitindo que o sangue contorne os capilares para que consigamos conservar o calor. É por isso que as nossas mãos ficam frias e temos de usar luvas.
Segundo o co-autor do estudo, Dr. Phillip Albrecht, "o excesso de inervações sensoriais pode explicar porque motivo os pacientes com FM têm uma especial sensibilidade à dor nas mãos. Mas, ainda por cima, como as fibras sensoriais são responsáveis por abrir as válvulas e quando está frio são particularmente activas, isso torna-se, geralmente, muito incómodo para os fibromiálgicos".

Um papel na regulação do fluxo sanguíneo através do corpo

Embora estejam praticamente limitadas aos pés e mãos, estas válvulas, muito provavelmente, têm outra função que pode contribuir  para a profunda dor generalizada, o incómodo e a fadiga que os pacientes de FM sentem.
"Além de estar envolvido na regulação da temperatura, uma grande parte do nosso fluxo sanguíneo encontra-se nas mãos e nos pés. Muito mais do que seria necessário para o seu metabolismo", disse o Dr. Rice. "Assim, as mãos e os pés comportam-se como um reservatório do qual o fluxo sanguíneo pode derivar para outros tecidos, tais como os músculos quando começamos a exercitar-nos. Logo, a patologia descoberta nestas válvulas nas mãos pode interferir com o fluxo sanguíneo para os músculos, em todo o corpo. Pensa-se que a origem deste fluxo anormal, da dor e da fadiga nos pacientes com FM possa estar relacionada com um acumular de ácido láctico e um baixo nível de inflamação. Isto, por sua vez, poderia contribuir para uma hiperactividade no cérebro."

O Dr. Albrecht também aponta para o facto das alterações no fluxo sanguíneo poderem estar subjacentes a outros sintomas da FM, tal como o sono não restaurador ou a disfunção cognitiva.

Esta descoberta de uma patologia  demonstra que a fibromialgia não "está na sua cabeça" e pode mudar a opinião dos médicos sobre a doença e guiar para futuras abordagens e tratamentos de sucesso.


Original @ Seance 2.0
em Junho de 2013

Tradução livre de Ana Sousa


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